quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

homenagem

João Justino é homenageado pelo Rotary de Campo Limpo Paulista

O Ratary Club de Campo Limpo Paulista prestou uma homenagem a João Justino Leite Filho, no dia 12 de fevereiro, no prédio da Apae do município, onde ocorre as reuniões dos sócios às quintas-feiras. Entre as palavras de carinho dos rotarianos, João Justino recebeu também um certificado e uma flâmula. Em troca, João Justino cantou uma de suas canções aos presentes, "Arara Azul".

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Crônica

POLITIQUEIROS

Zé Promessa queria ser eleito, “faturar” rios de dinheiro, garantir o futuro dos filhos, dos netos, futuros bisnetos, ajudar os irmãos, cunhados, genros, tios, primos, amparar o sogro, a sogra; e até por uma questão de segurança dar cargos que “possibilitam” altos ganhos extra-salariais aos mais chegados, os companheiros de tramóias, e fazer vistas grossas.
Zé convidava todo mundo para sair candidato... Era uma maneira de conseguir muitos cabos eleitorais.
Florisval aceitou o convite, filiou-se ao partido e foi ter uma conversa reservada com Zé Promessa. Colocou algumas idéias, quis provar que tinha ótimas intenções, ia começar a falar no que pretendia sugerir que fosse pela educação e saúde quando foi interrompido.
- O que você tem para dar?
- Pra dar pra quem?!
- Ora, pro seu eleitorado!
- ... É... tenho minha honestidade, minha garra, minha perseverança...
Zé balançou a cabeça rindo e não enrolou:
- Mas você pretende se eleger?
- Claro!
- Então pare de perder tempo. O que você tem pra dar de concreto? Se não tem arranje e volte aqui para começarmos a trabalhar.
Florisval foi pra casa pensando no que poderia dar de concreto, passou o fim de semana quebrando a cabeça e na segunda-feira cedo foi comunicar ao padrinho político.
- Descobri o que posso dar de concreto!
- O quê?
- Postes!
- ... Se você souber convencer o eleitor que um poste é fundamental na vida de uma pessoa, ótimo! Não menospreze nenhum eleitor, até o indigente Salomé é importante porque vota. Bom trabalho!
Florisval saiu distribuindo postes a torto e a direito. Quando já não sabia mais com quem negociá-los, procurou o indigente que costumava ficar num terreno baldio.
- Olá, meu irmão, bom dia, vim te trazer um presente!
- Pra mim?
- Claro, você também é filho de Deus.
- Mas o que é, moço?
- Um poste, de ótima qualidade!
- Mas o que que eu vô fazê cum poste?!
- Tanta coisa... Um poste vale uma nota! O meu vizinho derrubou um poste desse com o carro, vendeu o carro e o dinheiro não deu pra pagar o poste!
- É?
- Te Juro!
- Puxa, moço, nem sei como agradecê.
- Magina! ...Olha, eu sou candidato e estou precisando muito do seu voto pra poder lutar pelos pobres. Não vá pensar que é porque eu te dei um poste último tipo que eu quero o seu voto. Te dei o poste porque gosto de ajudar os pobres, e preciso de seu voto pra poder te ajudar muito mais.
- Meu voto é seu.
- Palavra?!
- Palavra de home!
- Eu sinto que você é um cara de palavra, como poucos. Você não vai se arrepender. Fica com Deus.
Florisval saiu, chegou Chico Mostarda.
- Oi, amigo, que que tá fazendo com esse poste?!
- Seu Florval que deu.
- Pra você votar nele, mas eu tenho certeza que você não é nenhum idiota de trocar seu voto por um poste!
- Mais esse poste vale mais que um carro!
- Ele te falou isso?
- Falô!
- Ele pediu o voto antes ou depois de dar o poste?
- Depois.
- Pra te deixar sem jeito de dizer que não votava nele. Eu também sou candidato, mas abro o jogo logo de cara, jogo limpo. Vou te dar coisa que vale muito mais que poste.
- O quê?
- Um cachorro!
- Mais eu quero ficá co poste!
- E vai ficar. É exatamente por isso que você precisa do cachorro, pra proteger o poste. Tá cheio de ladrão de poste por aí. E tem mais, o cachorro vai proteger você também. Cachorro é o melhor amigo do homem, e adora poste. Estava me esquecendo de dizer que o seu cachorro é de raça! Posso contar com o seu voto?
- Pode, pode sim.
Saiu Chico mostarda, chegou Maria Auxiliadora.
- Bonito cachorro!
- É de raça. Seu Chico Mostarda que deu pra protegê o poste.
- Bonitinho mas não é de raça, é vira-lata no duro! E esse cachorro precisa ser vacinado o mais rápido possível contra raiva, senão fica louco.
- Como a senhora sabe?
- Tá na cara do cachorro. E vacina tá tão caro! Pior é que ele pode morder o senhor...
- Não tenho como vaciná ele não, dona!
- Engraçado, acabei de comprar vacina para dar no meu cachorro. Parece que foi Deus que me mandou aqui pra salvar o seu cachorro e o senhor. Pode deixar, eu mesma aplico.
- Deus lhe pague. A senhora salvô a vida dele.
- E quando for eleita, com o voto que o senhor vai me dar, continuarei de braços abertos pro senhor!
- Vô votá na senhora.
- Saiu Auxiliadora, chegou Mané no Bloco.
- Calor de rachá, não?!
- É mesmo.
- Precisa fazer uma casa pro pobre animal, senão ele vai morrer torrado. Por que não faz uma casa de blocos?
- E eu lá tenho bloco?!
- Claro que tem. O que é meu é seu. Quero me eleger e ver todo mundo com a sua casinha! Até cachorro, coitado.
Salomé estava arrumando os blocos quando chega o dr Celso.
- Virou construtor, Salomé?!
- Não, tô só fazeno uma casinha.
- Casa?!
- É pro cachorro.
- Não é assim não. Pra fazer uma casa você precisa de uma planta assinada por um engenheiro. Se amanhã ou depois der algum problema o engenheiro será responsabilizado. Agora, se você constrói a olho, e a casa cai e esmaga o cachorro, a Sociedade Protetora dos Animais te mete um processo por homicídio culposo e você vai pará no xilindró!
- Como eu vô fazê, então?
- Você não vai fazer nada, eu é que vou fazer. Sou engenheiro, faço a planta e mando um pedreiro bom construir pra você.
- Mas quanto o senhor vai cobrá?
- Eu? Nada!
- E o pedreiro?
- O pedreiro cobra bem caro, mas eu vou pagar o serviço pra você.
- Se o dotô fô candidato pode contá co meu voto!
- Vou contar mesmo.
As eleições se aproximam e Zé Promessa também vai visitar o indigente.
- Bela casa, Salomé! Eu pedi pra te darem uma força e agora vim te avisar que vou mandar comida pro cachorro todos os dias, até as eleições; se eu ganhar você está bonito, sustentarei o bichinho até o final do meu mandato.
- O senhor que vá pro diabo que te carregue!
- Que é isso, Salomé, vamos governar juntos!
- ...Mataro meu cachorro antes donte.
- Coisa da oposição, companheiro. Que cachorrada!!! Deixa comigo, eu eleito te dou outro cachorro.
- Só voto no senhor se me dé o cachorro agora.
- Aguarde cinco minutinhos.
- Não vô aguardá nem um minuto!
Zé Promessa mais que depressa ficou de quatro, abanou a cauda e confidenciou:
- Eu sou um cachorro.