Não é preciso pesar aproximadamente 50 quilos e nem medir, pelo menos, 1,72 metro. Pode ser um corpo imperfeito, estranho, desproporcional, desequilibrado, desengonçado, obeso, pouco ou muito acima do peso. Tudo bem se tiver bem menos de metro e meio, aliás, os menores têm o tamanho de um óvulo fecundado.
Podem ser corpos modelados, esculpidos, sarados; o fundamental é que sirvam de passarela para o amor, a paz, a fé, a caridade, o respeito, o arrependimento, o perdão. Deus não faz distinção de pessoas, faz distinção de coração.
Os modelos de Deus poderão ser coroados mesmo não sabendo falar, ler, escrever ou andar, mas é recomendável que não enterrem os talentos, é aconselhável que desfilem com bom ânimo e é prudente que façam jejum de palavras, de atitudes, de sentimentos. É perigoso alimentar certos sentimentos, é preciso vigiar.
Os modelos de Deus insistem em se despir da ira, da vingança, do pessimismo e procuram se vestir de compaixão, de solidariedade, de amor e têm registrado na alma que não devem se vender à outras agências porque já foram comprados a preço de sangue imaculado.
Modelos recém-nascidos desfilam nus, chorando, trazendo na pele desenhos individuais, manchas, marcas genéticas, tatuagens Divinas, sinais celestiais.
A passarela para o desfile estará no trabalho, na escola, no trânsito, em casa, no clube, na rua; onde o modelo estiver, seja ele jogador ou torcedor, mesmo no intervalo, de férias ou num leito de hospital, cada passo será registrado, até o último suspiro.
Como Deus prefere chamá-los de filhos, as alternativas para que os filhos de Deus adquiram um apartamento, um carro, uma casa, uma fazenda ou mansão, jamais foi, é ou será a corrupção, a degradação. Os filhos sabem disso e sabem que o Pai proporciona salário família, salário filho, filha, neta, neto, bisneta, bisneto...
Muitos filhos de Deus serão tentados, ou melhor, quase todos são e serão. Mas não devem se iludir com tesouros perecíveis, nem se encantar com encantamentos humanamente limitados, pois o fogo ardente pode não queimar, qualquer tempestade pode aquietar e leões famintos aprendem a jejuar e o mais incrédulo dos incrédulos passa a acreditar, se for a vontade do Altíssimo.
O que deve prevalecer para os filhos de Deus não são os holofotes dos homens.
Lógico que os filhos de Deus erram, se enganam, enganam, escorregam, tropeçam, caem, se traem. Deus os orienta, os adverte, converte, liberta, transforma, informa, acolhe e também recolhe, como os pais recolhem seus filhos das ruas sem presente que valha a pena e sem futuro.
Filhos de Deus não barbarizam, só se perderem a sanidade, ou se abandonarem a paternidade perdendo a herança.
Os filhos de Deus ficam inconformados quando alguém diz que o Pai deles não existe, mas foi o Onipotente que deu aos humanos livre arbítrio, e sendo assim cada um pode emitir suas finitas opiniões, sobre a existência, sobre a vida e até sobre o Divino, inclusive tentando ignorá-Lo. Contestadores poderão acabar mal aventurados por si mesmos, só que os filhos do Onisciente não devem julgar porque Deus pode ter misericórdia de quem Ele tiver misericórdia.
Herdeiros do Onipresente utilizam diferentes vestimentas e armaduras, assim como os bombeiros escolhem a roupa e os equipamentos apropriados para cada ocasião. E não são poucos os que reconhecem que a fé é um talento e agradecem por não estarem na incredulidade, por terem sido retirados de lá e pelo renascimento. E agradecem pela vida, porque para desfilar para Deus na Terra tem que ter sangue correndo na veia, tem que haver pulsação, sopro de vida, ainda que em um corpo inerte. Mortos não desfilam mais aos vivos.
Os que desfilam para Deus serão perseguidos pelos inimigos do Todo Poderoso, mas poderão receber cachês Divinos, poderão firmar contratos eternos e podem se alimentar do que de melhor há no planeta, mas é essencial que saibam repartir o pão.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
LUZ DA LUZ
Eu era quase meu senhor
A dor se ergueu no meu jardim
A minha voz mudou de tom
Meu lado mal ganhou do bom
Eu era quase contra mim
Andando meio contra o céu
E meio mundo me acusou
De ter perdido a provação
Por ter cedido a tentação
Que um anjo mau arquitetou
Eu era quase seu senhor
A dor surgiu no seu jardim
A sua voz mudou de tom
Seu lado mal ganhou do bom
Você já quase contra mim
Me olhando meio contra o céu
E tantas vezes me acusou
De ter perdido a provação
Por ser eu mesmo a tentação
Um anjo mau que te abraçou
Eu era quase sem senhor
Quase que era sem jardim
Guardando a voz, perdendo o tom
Sem lado mal nem lado bom
Corria de encontro a mim
Olhando sempre para o céu
Senti que um anjo me avisou
Que além do sol, além da lua
E muito aquém da luz da rua
A Luz da Luz sempre me olhou
A dor se ergueu no meu jardim
A minha voz mudou de tom
Meu lado mal ganhou do bom
Eu era quase contra mim
Andando meio contra o céu
E meio mundo me acusou
De ter perdido a provação
Por ter cedido a tentação
Que um anjo mau arquitetou
Eu era quase seu senhor
A dor surgiu no seu jardim
A sua voz mudou de tom
Seu lado mal ganhou do bom
Você já quase contra mim
Me olhando meio contra o céu
E tantas vezes me acusou
De ter perdido a provação
Por ser eu mesmo a tentação
Um anjo mau que te abraçou
Eu era quase sem senhor
Quase que era sem jardim
Guardando a voz, perdendo o tom
Sem lado mal nem lado bom
Corria de encontro a mim
Olhando sempre para o céu
Senti que um anjo me avisou
Que além do sol, além da lua
E muito aquém da luz da rua
A Luz da Luz sempre me olhou
Para começar o ano, nada como uma boa poesia.
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